Inverno
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Eu que nasci na Era da Fumaça: _ trenzinho
vagaroso com vagarosas
paradas
em cada estaçãozinha pobre
para comprar
pastéis
pés-de moleque
sonhos
_ principalmente sonhos!
Porque as moças da cidade vinham olhar o trem passar:
elas suspirando maravilhosas viagens
e a gente com um desejo súbito de ali ficar morando
sempre... Nisto,
o apito da locomotiva
e o trem se afastando
e o trem arquejando
é preciso partir
é preciso chegar
é preciso partir é preciso chegar...
Ah, como esta vida é
urgente!...
No entanto
eu gostava mesmo de partir...
e _ até hoje _ quando acaso embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente...
como uma nave espacial perdida entre as estrelas.
O não-lugar é o lugar do poeta, viajar para "parte nenhuma", esta é a urgência vital do artista, do sonhador...Mas como é bom às vezes a gente poder ancorar os sonhos na realidade e vivê-los... Soltem a imaginação na travessia dos desejos mais urgentes e boa viagem... Tenham uma quinta de sonhos embarcados no trem poema de Quintana... Um abraço desses de viajante querendo chegar. Até a próxima Quinta com Quintana!!
Oi Fátima!!!! Peguei esse trem e fiz uma bela viagem recordando-me do passado, vivendo o presente e com certeza sonhando com um futuro prazeroso, realizando desejos e suspirando maravilhosas viagens, portanto, ainda não desembarquei....... Aquele Abraço, Lucia
Lucia Helena
04/09/2010
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